O descarte de aproximadamente 200 lâmpadas em uma área verde que pertence à prefeitura, no final da Rua Embira, tem preocupado os moradores do Jardim Umuarama. O fato ocorreu nessa semana e os moradores não sabem dizer se as lâmpadas foram jogadas aos pedaços ou se foram quebradas no local.
A rua é basicamente composta por pequenas indústrias, mas quem circula pelo local não arrisca dizer de onde veio o material. Em uma madeireira, que fica ao lado de onde as lâmpadas foram jogadas, O Jornal Mais Expressão apurou que é comum o descarte de material no terreno sem qualquer controle.
Na área, segundo os moradores, muitas crianças fazem diversas brincadeiras. Muita gente passa por um caminho improvisado que dá acesso a um ponto de ônibus, o que aumentaria o risco de acidentes. Os moradores também estão preocupados com a possibilidade de o caco da lâmpada ser utilizado para fazer cerol cortante, muito usado nas pipas. Outra preocupação é a contaminação do local, já que o pó branco que a lâmpada solta ao quebrar, é altamente tóxico, podendo inclusive causar câncer. “É perigoso e um desrespeito com o meio ambiente”, afirmou Aparecida Moraes Fernandez, moradora do bairro e a primeira a denunciar o caso. “Não posso afirmar quem foi, porque não vi. Mas era uma quantidade grande que não podia ficar ali”, diz Aparecida. “Falta conscientização da pessoa que fez isso. No local, tem crianças que brincam e que soltam pipa. É uma falta de consideração tanto com o meio ambiente, quanto com os moradores daqui”, desabafa Adilson Macari da Silva, outro morador do bairro.
O vereador Osmar Ferreira Bastos (PDT), que recebeu a denúncia, garantiu que levará o caso ao conhecimento da prefeitura. “Vou levar o caso à prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente, solicitando aos órgãos responsáveis para que imediatamente faça a retirada do material que foi descartado de forma irregular”, diz. Segundo o vereador o material é forte, venenoso e de difícil cicatrização em caso de corte. “É uma situação grave, que além de crime ambiental, coloca em risco a vida da população”, finaliza.
A Abilux (Associação Brasileira da Indústria de Iluminação) informou que a responsabilidade em descartar as lâmpadas usadas é do consumidor e que há empresas que fazem a coleta ao custo de R$ 0,50 cada. A Associação informou ainda que no Brasil não há lei específica para o setor.
O fabricante do produto também foi procurada para comentar sobre recomendações para o descarte e sobre os perigos do contato com o produto, mas a mesma foi vendida recentemente e nenhum dos telefones respondem.
A Prefeitura de Indaiatuba garantiu que retiraria o material até quinta-feira, dia 12.
Riscos
Se levadas para lixões, ou trituradas em caminhões de lixo e depositadas em aterro, o mercúrio de seu interior passa a contaminar o solo e lençóis freáticos, tornando-se um agressor silencioso. Segundo o químico Rafael Steffen, o mercúrio inalado ou ingerido entra na corrente sanguínea e instala-se nos órgãos, de onde o organismo não consegue mais eliminá-lo. “Ele é extremamente perigoso. Compromete a fauna a flora e seres humanos”, adverte Rafael. “É preciso evitar o contato especialmente em áreas expostas do corpo, porque numa eventual contaminação pode haver problemas neurológicos e psicológicos”, conclui.

| < Anterior | Próximo > |
|---|
DENUNCIA: Moradores denunciam descarte de lâmpadas em terreno da prefeitura de Indaiatuba

